[...]

Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; [...] (FERNANDO PESSOA)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Você deixou saudades

De repente vi minhas lágrimas caindo e molhando o travesseiro mais uma vez. Meu coração sentiu aquela mesma dor do dia 26/04/2006 mas agora no dia 10/10/2010. Que data! Aniversário da mamãe, e minha mãe já vinha dizendo que seria uma data histórica, e se foi!
Em partes sinto um alívio porque Deus colocou no meu coração uma certeza talvez nem tão certa, mas que é a única coisa que não me deixa sofrer tanto, a de salvação! Eu vinha pedindo tanto a Deus por isso e eu creio que minhas orações não foram vãs!
Meus olhos, minha mente, meu corpo choram a dor de mais uma perda, uma perda que poderia ter sido adiada, pelo menos era o que eu queria!
A imagem que eu sempre tive dele era a de um homem forte, robusto que nunca se deixava abater por nada, nem mesmo por um câncer que já tinha tomado todo o seu corpo!
Mas Deus me deu um presente muito grande, o de ter ido em março para Londrina. Mesmo que eu não tenha me agradado da forma em que o vi, deitado numa maca, internado sem forças pra sentar!
E eu não esqueço daqueles olhos brilhantes, tão brilhantes quanto diamantes, quando me viram entrando lá onde estava, ele se levantou e se sentou sozinho, mesmo que TUDO estivesse doendo, pra não deixar-me ver seu sofrimento. Fez piada, reparou na aliança no meu dedo, segurou a minha mão e me disse com os olhos cheios de lágrimas que assim como ele estava vendo a minha prima no internato lá no hospital universitário, ele também me veria!
Todo mundo que me conhece sabe, que sempre quando se fala em passar pra medicina eu cito meu avô, e sempre dizia o quanto ele ficaria orgulhoso se eu passasse pra UEL. Eu nunca deixei de sonhar com isso, porque nunca foi um sonho só meu, mas dele, do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos e da minha avó!
E mesmo que não seja na UEL, eu vou conseguir, e agora mais do que nunca eu quero realizar esse nosso sonho e se eu vier a discursar nunca deixarei de citar vocês vovô e papai, meus grandes heróis!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Apenas mais um desesperado

Todos começam a contar sua história pela parte menos triste, pela infância, mas este não foi o meu caso pois já nasci excluído e odiado, nem ao menos pude sentir o doce sabor do leite materno, fui logo lançado aos ratos e à imundice.
Me acharam e abrigaram-me num lar de crianças que assim como eu foram feitas não por acaso, mas odiadas por acaso, acaso este que nunca entendi.
Logo que descobri que aquelas crianças não eram meus irmãos, ou que aquela moça, de traços finos e um brilho no olhar incomparável que me punha para dormir todas as noites ao som das mais belas melodias interpretadas estupidamente bem por sua voz, não era minha mãe resolvi sumir dali. Neguei meus supostos irmãos, o pão de cada dia, as refeições tão bem feitas pela tia Nicinha, e, abracei um novo mundo.
Saí de lá com a certeza de que os olhos do meu país estariam sobre mim, mal sabia que realmente estariam.
Me perguntavam sempre quem era o meu pai, naquela época a filiação era de suma importância, e então eu respondia com todo o orgulho do mundo: "Meu senhor, sou eu filho do Brasil"; alguns de certo riam, porém outros confundiam-me com o filho de um senhor de idade que teve seu maior castigo recebendo o nome de Brasil.
Esqueci de relatar que minha casa era uma velha e abandonada estação ferroviária, minhas roupas, conseguia-nas nos varais mal vigiados e a comida, cada dia conseguia de uma forma diferente.
Foi assim que sobrevivi bem vestido, trabalhando e comendo direitiho até os meus treze anos de idade, quando descobriram quem eu era, então tive que fugir e me arriscar em outro vilarejo.
Lá não havia nenhum Brasil para eu me filiar senão o meu país, que descobri ouvindo a conversa de alguns senhores, na porta de um bar, que era este um país cujo se envergonhavam profundamente.
Mal sucedido na filiação, encontrei-me mais uma vez excluído e odiado. Conhecido como o moço sem família ou o ladrãozinho de varais, conheci em mim um lado cujo nunca imaginei que existisse, um lado revoltado e ruim que me fazia odiar a mim mesmo.
Realmente, passei a ser um ladrão, maníaco, alguém que eu não conseguia controlar. Fiquei feio, mal vestido e com a pior filiação.
Fiz todo o contingente de atos errôneos existentes portanto não foi longa essa minha vida, pois logo, os empregados do meu pai me puniram, espancaram e me deixaram aqui nesta casa onde vivo há oito anos já, cercado de pessoas que assim como eu descobriram seu outro lado. Alguns deixaram alguém lá fora à sua espera, mas ainda há alguns que como eu, não enxerga vida além das grades de uma cela enferrujada e mal cuidada pelos empregados do meu pai.
Aprendi a conviver com pessoas piores do que eu e passei a aceitar as características que atribuíram a mim, assim como a de um louco desesperado que escreve suas cartas para um pai que nunca as lerá, ou, que nunca existiu.
Prazer, sou mais um desesperado e filho do Brasil.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Que conheçam a Ti, Senhor

Tenho procurado dentro mim, em meio a um mar de palavras e opiniões temas para escrever, e até mesmo a vontade de escrever!
Mas não a tenho encontrado de forma alguma. Gostaria de falar menos de mim, trabalhar temas políticos, sociais, culturais, mas tudo que encontro para escrever é sobre a grandeza de Deus.
E ultimamente não há outra coisa que eu pense mais, que ocupe mais o meu dia senão as maravilhas de Deus!
Tenho experimentado de forma tão maravilhosa toda a Sua misericórdia, graça, bondade, poder etc.
E clamo a Deus todos os dias, para que aqueles que estão próximos a mim possam sentir e vivenciar tudo que tenho vivido e sentido.

" Povos do mundo inteiro, voltem para mim e eu os salvarei, pois eu sou Deus, e não há nenhum outro. " (Isaías 45.22)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Faz-nos voltar a Ti

"Porém tenho uma coisa contra vocês: é que agora não me amam como me amavam no princípio. Lembrem-se do quanto vocês caíram! Arrependam-se dos seus pecados e façam o que faziam no princípio. Se não se arrependerem, eu virei e tirarei o candelabro de vocês." (Apocalipse 2.4-5)

Há muito que tenho refletido nesta mensagem e tenho tentado voltar ao início de tudo, me reencontrar com Deus, rever meus conceitos e tornar-me novamente aquela menininha profetisa que abominava o pecado, que respirava Deus e que fazia de todo seu coração as vontades de Deus.

O que acontece conosco é algo simples, à medida que vamos amadurecendo espiritualmente ao invés de nos aproximarmos de Deus, nos afastamos. Vamos "crescendo" e esquecemos dos sentimentos puros e verdadeiros que tínhamos na inocência e então Jesus mais uma vez com sua IMENSA sabedoria diz: "Lembrem-se disto: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele." (Lucas 18.17)
E não há outra forma que obtenha mais clareza do que esta comparação feita por Jesus em sua infinita sabedoria, que com as simples coisas faz-nos solucionar questões que pareciam impossíveis!

Basta voltar a inocência, ao primeiro amor, às primeiras obras, apenas depositar a confiança nEle ("Entrega teu caminho ao Senhor, confie nEle e o mais Ele fará" -Salmos 37.5-)fazer o que Lhe apraz e tudo irá bem!

Mas nós complicamos onde mais uma vez deveríamos ser como criança, simples e humilde. Agirmos apenas para agradarmos a Deus, sermos luz em meio às trevas, fazermos a nossa parte e deixar que o Espírito Santo haja em nossa vida.

Portanto devemos lembra onde caímos, onde erramos, nos arrepender e voltar ao tempo da inocência, tempo de intimidade com Deus, tempo de pureza e de santidade pois sem ela (santidade) não veremos a Deus.

Mas se não nos arrependermos o Senhor virá e tirará o candelabro. O candelabro simboliza a Igreja local, a retirada do candelabro refere-se ao abandono das primeiras obras que por sua vez referem-se ao primeiro amor. Somente um coração cheio de amor pelo Senhor pode manter o candelabro aceso.

Meu querido, eu tenho voltado ao primeiro amor e tenho experimentado novamente aquela intimidade com Deus magnífica. E te aconselho para o seu bem, para que nos últimos dia não ouças : "Nunca vos conheci: apartai-vos de mim" (Mateus 7.23b)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Linda menina

Ainda lembro daqueles olhos grandes e redondos a me observar. Tenho na memória as imagens mais belas, e claro, as mais catastróficas também.

Mas a tinha como minha bonequinha de porcelana, meu brinquedinho. Cuidava dela, fazia pão com Nescau, salada de tomate, sanduíche de arroz entre outras guloseimas bem interessantes assim como as anteriormente citadas.

E ela começou a crescer e de bonequinha passou a ser minha amiga, demorou bastante, mas aconteceu.

Aprendi a ler sua mente, decifrar seus enigmas, chorar suas lágrimas, sorrir seus sorrisos, eternizar seus abraços, intensificar seus carinhos; ah querida irmã aprendi que dava não apenas para sermos amigas, mas irmãs e mãe e filha também.

Cultivei por você um sentimento diferente, passei a te amar como se fosses minha filha sem mesmo precisar de dar-te a luz.

Ah querida, e como eu amo entender-te, participar da tua vida, ter ciúmes das coisas mais bobas, estender minhas asas sobre você e te proteger do mundo lá de fora.

És o meu bebê. Ah linda menina, não cresça mais, fique para sempre ao meu lado, o mundo lá de fora é muito perigoso.

Sei que já cresceste e não como reverter. Mas...

Não, não cresça linda menina! Eu amo você.

Eu só queria...

Eu queria saber detalhar o que leio nos meus olhos quando refletidos no espelho, saber explicar os porquês que vejo no rosto dos meus próximos, ou nem tão próximos assim.

Mas sabe o que realmente eu queria? - Poder mudar o mundo, ajustar as pessoas tornado-as mais amáveis e racionais.

Queria viver um sonho, passear nas estradas da alma e dobrar as esquinas do amor, pular as avenidas do ódio e tornar intransitáveis as ruas da violência. Ah se eu pudesse voltar a infância, aproveitar suas facilidades, desfrutar do que a escola me proporcionava...

E se realmente eu tivesse a chance de retornar ao passado eu me apegaria ainda mais às pessoas que amo, não deixaria algumas partirem, agarraria com todas as forças as pessoas que um dia maltratei; faria uma vida nova tão mais fácil e mais feliz.

Quem sabe eu diria mais vezes o famoso "eu te amo", e teria mais primeiras vezes. Talvez hoje eu tivesse mais amigos de verdade, mais momentos felizes ou até mesmo mais dias perfeitos.

E eu só queria ter vivido realmente uma infância ingênua, inocente e irresponsável; ter feito mais besteiras, não ter me privado tanto por causa da tão odiada timidez, ter amado mais, ter odiado mais também...

E se hoje não posso tornar meus desejos reais, me contento em sonhar apenas arquitetando meus pobres textos e pondo-os neste blog que já se tornou um terapeuta que aguenta todos os meus pensamentos hora insanos, hora filosóficos.

domingo, 29 de agosto de 2010

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Eu sempre soube que colhemos o que plantamos, que apesar de não parecer sempre existe ao menos uma pessoa que perceba você, o seu modo de ser, de falar, de agir, de se vestir etc.

E pra falar a verdade eu sempre gostei muito disso, e mais uma vez vou escrever um de meus textos desalinhos. Acho que é fase, sempre tenho esses surtos.

Mas então como ía escrevendo, sempre gostei de ser notada, não eu não gosto de aparecer, gosto que as pessoas me achem diferente, me vejam diferente e sintam a diferença que eu tento fazer.

Porque é tão gratificante você tentar ser diferente e além disso tentar fazer a diferença e depois você ouvir pessoas dizendo: "Não, a Khawana? Ela é diferente, não é igual as demais!" É lindo, pois é o que eu planto e respectivamente o que colho com alegria no coração!

Não, não pense que sou maluca, porque tem mais sentido do que pensas...
... pois esse ser diferente está diretamente ligado à "luz do mundo e sal da terra" que a bíblia nos instrui que sejamos.

Eu queria simplesmente saber lhe explicar a razão de escrever isso, mas crendo ou não, Deus me tocou o coração para escrever sobre essa diferença, que se você me conhece, sabe do que estou falando, e se você chegou até aqui na leitura é porque você entendeu e então digo a você, seja também, ou melhor, tente você também ser a luz do mundo e o sal da terra!